O prédio da divisão de biotecnologia da OmniTek erguia-se como um monólito de vidro espelhado e aço no distrito financeiro de São Francisco. Às duas da manhã, a segurança era pesada: leitores biométricos, sensores de pressão no chão e uma inteligência artificial local apelidada de Argos, que monitorava cada centímetro da rede interna.
A três quarteirões dali, dentro de uma van de entregas modificada que James havia "emprestado" da frota de uma das empresas de seu pai, o trio se preparava.
— O mapa térmico está limpo na entrada de serviço, James — informou Chloe, os dedos voando pelo notebook conectado aos servidores da casa de barcos. — Eu consegui criar um loop de cinco segundos nas câmeras do corredor C. É a sua janela.
James, vestindo um traje tático preto que destacava seu físico atlético, ajustou as luvas e olhou para Bruce.
— E quanto à IA do prédio? Se o Argos me detectar, os bloqueios de segurança transformam o laboratório em uma caixa de aço em três segundos.
Bruce estava sentado no fundo da van, com os olhos fechados. Ele não precisava olhar para o prédio; sua mente já estava conectada aos cabos de fibra óptica de alta velocidade que corriam sob o asfalto. Através da tecnomancia, Bruce conseguia "ouvir" o zumbido do Argos. Era uma inteligência artificial poderosa, mas para alguém que processava o mundo quarenta vezes mais rápido, os algoritmos da IA pareciam andar em câmera lenta.
— O Argos é meu — Bruce disse, abrindo os olhos azuis, que pareciam refletir as linhas de código da rede. — Eu vou inundar os sensores de dados dele com tráfego fantasma. Para a IA, o prédio estará completamente vazio. James, você tem exatamente sete minutos para implantar o meu receptor diretamente no servidor central da biotecnologia. Depois disso, o Argos vai notar a discrepância.
— Sete minutos. É mais do que o suficiente — James sorriu, abrindo a porta traseira da van e deslizando para a escuridão da noite.
Bruce respirou fundo, ativando sua inteligência aprimorada ao máximo. Ele estendeu a mão direita no ar, espalmada na direção do monólito da OmniTek.
Conectar.
Instantaneamente, a mente de Bruce foi arremessada para dentro do sistema de segurança da corporação. Ele sentiu a resistência dos firewalls da OmniTek, que pareciam paredes de concreto digital. Mas a tecnomancia dele não operava como um vírus comum; ele manipulava a própria eletricidade física que alimentava os servidores.
— Chloe, comece o protocolo de distração no setor de RH. Faça parecer um erro de sistema interno — Bruce comandou mentalmente, enquanto começava a abrir caminho para James através das portas eletrônicas.
— Iniciando — a garota respondeu, enviando pacotes de dados criptografados para mascarar o avanço de James no mundo real.
Pelo ponto eletrônico, eles podiam ouvir a respiração ritmada de James enquanto ele passava pelos dutos de ventilação e descia silenciosamente no teto do laboratório de biotecnologia. O lugar era repleto de cápsulas de vidro com fluidos esquisitos e telas exibindo sequências genéticas complexas.
— Estou no laboratório central — James sussurrou, correndo até o terminal principal e plugando o dispositivo de Bruce na entrada de dados. — Receptor conectado. Bruce, é com você.
No instante em que o contato foi feito, Bruce sentiu o fluxo de informações do projeto secreto da OmniTek invadir sua mente. Mas o que ele encontrou ali dentro não eram apenas relatórios financeiros ou patentes roubadas.
Os olhos de Bruce se arregalaram dentro da van.
— Mas o que é isso?... — ele murmurou.
O projeto secreto da OmniTek não era uma nova medicina. Era algo muito mais perigoso, e que parecia ter uma conexão bizarra com as próprias habilidades biológicas que o Deus da Criação tinha dado a ele.
