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Chapter 10 - Fate convocando Kratos como Berserk

O vórtice que definia os limites da Singularidade de Fuyuki expandiu-se até engolir a própria luz das estrelas. Não havia mais acima ou abaixo; o distrito residencial de Miyama transformara-se em um plano infinito de placas de asfalto flutuantes, engrenagens de relógio colossais de Alaya que giravam sem eixo e rios de mana carmesim que flutuavam no vácuo como fogueiras líquidas. A atmosfera pesava tanto que a armadura de Mash Kyrielight emitia um zumbido contínuo de estresse metalúrgico. Ao longe, a silhueta do Monte Enzou tremia, descolando-se da crosta terrestre como uma ilha flutuante no fim do mundo.

Foi nesse momento de suspensão total que o Trono dos Heróis, agora isolado pelas barreiras da Singularidade, sofreu um curto-circuito conceitual definitivo. A fórmula original que invocara as versões contidas e limitadas dos Servos começou a falhar sob a pressão da gravidade do paradoxo. O sistema de Fuyuki, projetado para moldar heróis em classes restritas, derreteu.

O primeiro a passar pela transmutação foi o Rei dos Heróis.

A forma de Servo de Gilgamesh, a casca dourada e polida de Fuyuki, começou a descascar como tinta velha. A aura vermelha que cobria seu peitoral nu expandiu-se em um fulgor dourado primordial, tão denso que a própria luz da Excalibur de Saber pareceu empalidecer até virar cinza. Suas feições, outrofra jovens e marcadas pelo cinismo de um monarca entediado, endureceram com a gravidade de eras imemoriais. Os ornamentos de ouro de sua armadura fundiram-se à sua pele na forma de runas sumérias que pulsavam com o calor do início do mundo.

Não era mais o Archer invocado por magos mortais. Diante deles flutuava **Gilgamesh, o Rei da Epopeia Original**, em sua plenitude divina e histórica. Ele carregava consigo o peso conceitual de uma era onde os homens conversavam com os deuses e os monstros moldavam a geografia do planeta. A Gate of Babylon atrás dele transformou-se em uma fenda que rasgava a própria fundação da civilização, expondo não protótipos de armas, mas as próprias matrizes conceituais da criação humana: o primeiro fogo, a primeira roda, o primeiro metal forjado.

"Você me forçou a manifestar a totalidade de minha linhagem, criatura de cinzas", a voz de Gilgamesh ecoou, grave e profunda, reverberando nas mentes de Ritsuka e Rin como o impacto de um martelo contra uma bigorna de bronze. "A casca deste mundo já não consegue conter o que sou. Eu sou a primeira lei da humanidade. Diante de mim, os deuses que você matou seriam apenas conceitos não moldados."

Ele girou Ea. A arma negra não emitia mais o zumbido agudo de antes; ela produzia um silêncio absoluto. Os três cilindros pretos giravam com tamanha força que o espaço-tempo ao redor de sua lâmina começou a escorrer como cera quente, revelando o abismo escuro da antimatéria que existia antes da criação da Terra.

Kratos olhou para o Rei. Sentiu a mudança na atmosfera. A mana da Caldeia, que Fujimaru Ritsuka canalizava com as duas mãos trêmulas e o rosto banhado em suor, não entrava mais nos circuitos de um Servo. Ela estava alimentando uma divindade morta.

O gigante pálido fechou os olhos por um breve instante. Suas mãos soltaram os cabos das Lâminas do Caos e do Machado Leviatã, deixando que ambas as armas flutuassem ao seu redor na estática da Singularidade. A pele cinzenta de seu corpo começou a pulsar com um calor antigo e sufocante. A marca vermelha que serpenteava seu torso brilhou com a cor de sangue fresco, e seus olhos, ao se abrirem, perderam qualquer vestígio da lucidez nórdica ou da paciência de um pai.

As amarras conceituais do Trono dos Heróis haviam se rompido para ele também. Kratos já não estava restrito às regras de uma classe ou aos limites de um Espírito Heroico. A Singularidade trouxera de volta o registro exato do momento mais sombrio e devastador de sua história: **Kratos, o Deus da Guerra Original da Grécia**.

Seus músculos dilataram-se, as veias saltando como serpentes negras sob a pele pálida impregnada com as cinzas de sua primeira família. A aura que emanava de seus ombros não era fogo, nem gelo; era um ódio condensado que distorcia a gravidade do asfalto flutuante abaixo dele. O chão rachava não pelo peso de suas botas, mas pela mera rejeição que sua presença causava no tecido do mundo. As correntes fundidas aos seus antebraços arderam em um vermelho vivo, a carne queimando e se regenerando em um ciclo infinito de dor e fúria que alimentava sua força física.

**"Você fala de sua primeira lei, rei"**, Kratos rugiu, a voz saindo como o colapso de uma cordilheira inteira, fazendo com que Rin cobrisse os ouvidos para impedir que seus tímpanos sangrassem. **"Mas eu sou a consequência de todas as leis que os deuses tentaram impor aos homens. Eu não sou um herói do seu trono. Eu sou o fim do seu mito."**

Com um movimento violento, Kratos agarrou as Lâminas do Caos no ar. O fogo do Tártaro irrompeu em uma coluna de chamas escuras que subiu até o topo do rodamoinho da Singularidade, queimando as nuvens roxas e transformando o vácuo em um inferno de cinzas e brasas.

Fujimaru Ritsuka deu um passo para trás, sentindo que sua alma estava prestes a ser arrancada de seu corpo pelo consumo de mana. "Mash... o Berserker... ele não está mais usando a nossa energia para se manter vivo. Ele está extraindo poder da própria destruição da Singularidade!"

"Master! O nível de divindade dele... quebrou a escala de medição da Caldeia!", Mash gritou, usando o escudo com as duas mãos para conter a onda de calor que vinha de Kratos. "Ele não é mais um servo! Ele é um Panteão em colapso!"

Saber (Arturia) assistia à cena com a espada invisível abaixada. Seus olhos verdes refletiam o horror de quem percebe que a guerra pela qual lutou era apenas uma brincadeira de crianças diante do verdadeiro peso da história antiga. "Aquele homem... ele carrega o peso de todos os mortos de sua terra natal. Ele é o próprio Submundo caminhando."

Gilgamesh sorriu, um sorriso terrível, desprovido de qualquer escárnio, preenchido apenas pela alegria bárbara de quem encontrou um desafio digno do primeiro governante da Terra. Ele ergueu Ea acima da cabeça. O abismo dourado da Gate of Babylon começou a descarregar suas relíquias primordiais: lanças de meteorito que criaram vales, machados de bronze que apartaram mares. Milhares de armas divinas dispararam do céu na velocidade da luz, convergindo na direção de Kratos como uma chuva de estrelas cadentes destrutivas.

Kratos não recuou. Ele avançou correndo pelas placas de asfalto flutuantes, saltando no vácuo de uma pedra para a outra com a agilidade de um predador primordial. Ele girava as correntes das Lâminas do Caos com uma velocidade que transformava seus braços em um escudo rotativo de fogo e metal. As armas divinas de Gilgamesh colidiam contra as lâminas serrilhadas de Kratos, estilhando-se em pedaços de bronze e ferro conceitual que flutuavam na Singularidade.

Quando uma lança de luz divina conseguiu perfurar sua coxa direita, Kratos sequer diminuiu o passo. Ele arrancou a arma de sua carne com a mão esquerda, quebrando-a ao meio com um estalo seco, enquanto usava o impulso para se lançar diretamente contra a plataforma flutuante onde Gilgamesh residia.

**"VENHA, REI DOS HOMENS!"**, Kratos urrou, erguendo a Lâmina do Caos direita para desferir um golpe capaz de partir o horizonte.

Gilgamesh desceu Ea em um corte horizontal puro. *"ENUMA... ELISH!"*, as palavras do Rei foram um decreto que silenciou o inferno de chamas.

O feixe de energia vermelha e preta da Estrela da Criação disparou, colidindo diretamente contra o avanço de Kratos no meio do vácuo. O impacto das duas existências originais gerou uma expansão de luz que consumiu a Singularidade inteira, apagando a visão de Ritsuka, Rin e Saber em uma névoa de branco absoluto. O destino de Fuyuki e de toda a história humana subsequente estava agora sendo decidido no centro daquele clarão, onde o primeiro rei da humanidade e o matador de deuses mediam a força de

seus próprios mitos.

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