Cherreads

Chapter 9 - Capítulo: O Eco do Caos

Parte 2: A Linha na Areia (A Investigação do FBI)

No quartel-general do FBI em São Francisco, o clima era de uma ressaca caótica. Pilhas de caixas de arquivos da Vanguard Logistics preenchiam as mesas, mas na sala de reuniões principal, o foco não estava nos documentos físicos.

O Agente Especial Robert Vance (um homem de cinquenta anos, com olheiras profundas, terno amassado e o distintivo pendurado no cinto) encarava a lousa digital. Vance era um dinossauro do Bureau; tinha visto o crime migrar das ruas para as redes nas últimas duas décadas e odiava o fato de que a nova geração de criminosos usava teclados em vez de armas.

Ao lado dele, dois técnicos da Divisão de Crimes Cibernéticos digitavam furiosamente.

— Me digam de novo — a voz de Vance era um rosnado rouco de quem tinha fumado por anos. — Como um servidor em circuito fechado, sem nenhuma conexão com a internet externa, foi esvaziado em menos de cinco minutos?

— Nós já explicamos, Agente Vance — o técnico mais jovem respondeu, ajeitando o fone de ouvido. — Houve uma invasão física. Alguém plantou um transmissor de alta frequência na subestação da marina. Esse dispositivo funcionou como uma ponte para um hacker externo.

— Uma ponte? — Vance cruzou os braços, os olhos semicerrados. — Um hacker comum precisaria de horas para quebrar a criptografia militar da Vanguard. Esse... esse fantasma fez isso em segundos. E como ele fez todas as telas da nossa sede ligarem sozinhas com aquela mensagem impertinente? Nossos sistemas são isolados!

— É o que não faz sentido, senhor — o outro técnico interveio, parecendo genuinamente assustado. — Não há rastros de código malicioso nos nossos servidores. É como se a rede elétrica da cidade tivesse flutuado e forçado os monitores a exibirem o texto. Não foi um ataque lógico de software... Parecia quase... físico. Como se alguém tivesse controle direto sobre os elétrons dos aparelhos.

Vance soltou um suspiro pesado e caminhou até a lousa, onde estava escrita a palavra que Chloe e Bruce usavam na Deep Web: APARATO.

— Não existem fantasmas, rapazes. Só pessoas espertas demais — Vance murmurou, pegando uma caneta e circulando a palavra. — Esse "Aparato" sabia exatamente onde a segurança física da Vanguard falharia. Sabia o momento exato em que a energia cairia. Isso exige reconhecimento de campo. Trabalho de rua.

O veterano bateu com o dedo na lousa. O instinto dele, moldado por trinta anos de caça a mafiosos e cartéis, estava apitando. Ele sabia que a tecnologia era apenas uma ferramenta. Por trás daquela perfeição digital, havia uma mente humana estratégica e audaciosa operando em São Francisco.

— Quero todas as imagens de satélite e de segurança das ruas próximas à marina nas três horas que antecederam o ataque — comandou Vance. — Esqueçam as linhas de código por um minuto. Vamos caçar as pegadas desse fantasma no mundo real.

Vance mal sabia que, ao procurar por profissionais de elite do crime, seus olhos passariam direto pelas imagens de três crianças de doze anos caminhando de mochila pelos arredores do porto. Mas a caçada havia começado.

More Chapters