Cherreads

Chapter 38 - Capítulo: A Rotina do Império Familiar

O Café da Manhã e a Engenharia Humana

A rotina matinal começava sob a supervisão impecável da Sra. Higgins e de Arthur no suntuoso salão de jantar. À cabeceira da mesa, Bruce, com seus 1,89m e a presença imponente de sempre, lia relatórios holográficos do pilar aeroespacial da Arasaka projetados discretamente no ar. Elena, ao seu lado, gerenciava o caos adorável da mesa com um sorriso calmo.

Com dois anos de idade, os trigêmeos já demonstravam traços da genética aprimorada de Bruce. Os pequenos Arthur e William tentavam disputar a atenção com colheres de prata, enquanto a pequena Aria, a protegida da casa, batia palmas ao ver as projeções digitais do pai sumirem no ar.

— Lucas, por favor, não use a tecnomancia para fazer o prato do seu irmão flutuar durante o café — Elena pediu de forma mansa, sem tirar os olhos de Aria.

Lucas, agora com doze anos e exibindo uma inteligência analítica que impressionava até Chloe, deu um sorriso de lado, recolhendo a sutil frequência quântica que usava para testar seus limites cognitivos. Ao seu lado, Leo, com o físico já se desenvolvendo graças aos treinos com James, ajudava o pequeno William a cortar uma fruta com precisão e paciência cirúrgicas.

— Deixa com ele, mãe. Se o Lucas bagunçar a mesa, o Arthur faz ele limpar sem usar a rede — Leo brincou, trocando um olhar cúmplice com o mordomo, que fingiu focar na bandeja de prata com total impassibilidade britânica.

Tarde de Treinamento e Tutela

À tarde, a mansão dividia-se em suas duas grandes vocações: a tática e a biológica.

Nos jardins externos, Elena ensinava os trigêmeos a caminhar entre as flores de suas estufas. Aria corria atrás das borboletas, sempre sob o olhar atento dos cães de guarda e dos sensores invisíveis do "Olho de Vidro". Elena fazia questão de que os pequenos mantivessem o contato com a terra e com a natureza, a mesma sensibilidade que a uniu a Bruce na confeitaria anos atrás.

Enquanto isso, no subsolo blindado, a seriedade da Arasaka operava. Leo e Lucas já não eram mais iniciantes. Bruce observava os filhos mais velhos ao lado de James e Chloe.

Leo, em velocidade máxima, contornava obstáculos e desarmava manequins de combate tático com uma força e destreza invejáveis. Lucas, no terminal principal, criava barreiras de firewall dinâmicas em tempo real para proteger a incursão simulada do irmão. Eles trabalhavam como uma extensão um do outro.

— O progresso deles está fora da curva, Bruce — James comentou, cruzando os braços e observando Leo finalizar a sequência de combate. — O Leo já tem a pegada de um comandante. Ele lidera pelo exemplo.

— E o Lucas está reescrevendo protocolos de criptografia que a minha divisão sênior leva semanas para entender — Chloe adicionou, ajustando os óculos. — Eles estão prontos para começar a estagiar formalmente nas divisões de inteligência e defesa no próximo ano.

Bruce desceu até o tatame, caminhando até os primogênitos. Ele colocou as mãos grandes nos ombros de Leo e Lucas, apertando-os com orgulho.

— Vocês foram perfeitos hoje — Bruce declarou, a voz grossa ressoando no complexo. — Mas o treinamento acabou por agora. Suas obrigações como irmãos mais velhos chamam lá em cima.

O Anoitecer da Dinastia

Ao cair da noite, a mansão voltava a se recolher sob o calor da grande lareira de pedra do salão principal. William e Emi Hastings, junto com os pais de Elena, visitavam a propriedade com frequência, transformando as noites de domingo em um banquete de histórias e risadas.

Bruce estava sentado na grande poltrona de couro. A pequena Aria havia pegado no sono diretamente em seu peito largo, os dedinhos infantis segurando o tecido do suéter escuro do pai. Perto de seus pés, no tapete felpudo, Arthur e William de dois anos brincavam com blocos de montar, sendo supervisionados por Leo e Lucas, que pacientemente os ensinavam a construir pequenas fortalezas de brinquedo.

Elena aproximou-se, sentando-se no braço da poltrona de Bruce. Ela passou a mão pelos cabelos castanhos dele e olhou para o cenário diante de si.

— Cinco herdeiros, Bruce... — Elena sussurrou, com os olhos verdes brilhando sob a luz da lareira. — Às vezes eu olho para o tamanho desta casa e acho que ela ainda é pequena para o tamanho do amor que nós construímos aqui dentro.

Bruce envolveu a cintura de Elena com o braço livre, trazendo-a para perto. Ele olhou para Leo e Lucas, os meninos de Londres que haviam blindado a casa contra espiões corporativos e que carregavam o pilar da lealdade. Olhou para os trigêmeos, o milagre multiplicado que trazia a promessa de expansão para o futuro.

A Corporação Arasaka controlava o solo, o espaço e as redes digitais de todo o globo. Mas o verdadeiro império de Bruce Hastings Arasaka estava ali, seguro, unido e indestrutível, sob o teto daquela mansão na colina.

— A casa é perfeita, Elena — Bruce respondeu, beijando a têmpora da esposa enquanto sua voz grossa e serena selava a noite. — Porque não importa o quão longe a Arasaka chegue nas estrelas... este sempre será o centro do nosso universo.

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