O peso da massa de carne e ferro retorcido desabou sobre os dois. Kratos fincou os pés na lama, as *Lâminas do Caos* cruzadas acima da cabeça. O impacto emitiu um som abafado, como um osso enorme sendo quebrado em câmera lenta. Suas pernas tremeram; o joelho esquerdo cedeu um palmo, afundando na podridão negra.
Saber avançou pelo flanco, a Excalibur cortando um dos tentáculos mecânicos que tentava envolver o flanco do espartano. O metal divino dela colidiu contra as engrenagens enferrujadas da Besta, gerando uma chuva de faíscas que iluminou a escuridão da floresta por um milissegundo.
"Não vou aguentar muito tempo!", Exclamou Saber, o suor escorrendo pelo rosto pálido. A presença da criatura estava sufocando seus circuitos mágicos.
Kratos sentiu sua própria existência vacilar. Suas mãos, calejadas por milênios de guerra, começavam a parecer translúcidas sob o brilho alaranjado do fogo das lâminas. A falta de um Mestre era um abismo que puxava seus calcanhares. A Besta soltou um novo lamento de mil vozes, e uma onda de choque conceitual caiu Saber para trás, fazendo-a rolar pela lama, com a armadura de mana quase completamente desfeita.
Kratos ficou sozinho. O grande olho dourado da criatura se fixou nele, jorrando mais daquela lama corrosiva.
*"Seu tempo acabou, cinza antiga"*, as vozes ecoaram na mente dele. *"O Trono não se importa com você. O mundo não se importa com você."*
Kratos rosnou, o sangue escorrendo de seu nariz. Ele tentou levantar o Machado Leviatã de novo, mas suas forças não tinham limite.
Foi nesse instante que o céu acima da floresta de Fuyuki rachou.
Não foi um relâmpago, nem a luz de um Fantasma Nobre. Foi um rasgo azul-claro, cirúrgico, geométrico. O som de estática pura, como o zumbido de dez mil computadores processando dados ao mesmo tempo, ecoou pelo ar úmido. Uma coluna de luz branca e ciana desceu do céu, cravando-se na lama exatamente entre Kratos e a Besta.
"Iniciação de salto dimensional forçado! Linha ley de Fuyuki interceptada com sucesso!", uma voz feminina, jovem e ofegante, ecoou do meio da luz, transmitida por algum tipo de projeção mágica que flutuava no ar. "Senpai, estabilize o âncoramento agora!"
De dentro do feixe de luz, uma figura deu um passo à frente. Era uma jovem de cabelos curtos e rosados, usava uma armadura cinzenta e carregava um escudo que parecia a metade de uma mesa de altar de mármore preto, com uma cruz esculpida no centro. **Mash Kyrielight**.
Ao lado dela, um jovem de jaqueta preta e branca — o último Mestre da humanidade, **Fujimaru Ritsuka** — pisou na lama de Fuyuki, tossindo por causa do cheiro de desconforto, mas com os olhos fixos na criatura.
"Mash, mude para a postura defensiva!", Ritsuka tentou, estendendo a mão direita, onde um conjunto completamente diferente de Feitiços de Comando brilhava. Ele olhou para o gigante pálido que estava prestes a sumir no ar. "Você... você é o Servo sem Mestre? Seguro firme!"
Ritsuka não hesitou. Ele apontou os Feitiços de Comando na direção de Kratos. O fluxo de mana que viajava através do salto dimensional da **Caldeia** (Chaldea) — a organização para a preservação da história humana — era colossal. Não vem de um mago comum de Fuyuki; vinha de um sistema projetado para sustentar múltiplos Espíritos Heroicos ao mesmo tempo através do tempo e do espaço.
"Eu sou Fujimaru Ritsuka, Mestre da Caldeia!", o jovem mencionou, a voz firme apesar do terror que a Besta causou. "Aceite o meu suprimento de mana! Não deixe esse mundo acabar aqui!"
Uma torrente de energia mágica puríssima, azul-celeste, atingida no peito de Kratos.
A sensação de areia quente em suas veias sumiu imediatamente, resultante por um rio de força fria e renovado. A transparência de seus braços afastados; seus músculos se solidificaram, a pele pálida recuperando a densidade de uma parede de pedra. O registro de sua existência, que estava flutuando entre os mitos, foi fixado no chão com a força de uma estaca de ferro.
Kratos olhou para o garoto. Viu a exaustão nos olhos dele, mas também uma obstinação que ele conhecia muito bem: a teimosia de quem carrega o peso do mundo nos ombros e se recusa a cair.
**"Você corre riscos perigosos, garoto"**, Kratos disse, a voz voltando ao seu barítono brutal, fazendo o chão tremer.
"É o meu trabalho", Ritsuka respondeu com um sorriso tenso, enquanto Mash batia o escudo no chão, ativando uma barreira de luz que bloqueou o primeiro jorro de lama da Besta. "Mash, dê cobertura para ele!"
"Sim, Master! *Lord Chaldeas*!", Mash completamente, a parede de energia pura se expande, empurrando as engrenagens retorcidas da criatura para trás.
Kratos sentiu o Machado Leviatã em suas costas pulsar. Com a mana da Caldeia estabilizando sua existência, ele não precisa mais escolher entre o monstro que foi e o homem que se tornou. O sistema de organização permitiu que ele acessasse a totalidade de sua lenda sem que seu corpo colapsasse.
Ele olhou para a Besta. O olho dourado do monstro agora piscava com algo muito parecido com o medo.
**"Você disse que o mundo não se importa"**, Kratos caminhou até a borda da barreira de Mash, sacando o Machado Leviatã com a mão direita, enquanto a Lâmina do Caos esquerda arrastava sua corrente fumegante pelo chão. **"Mas estes mortais ainda lutam. E enquanto eles lutam... eu serei a arma deles."**
Kratos flexionou os joelhos. O chão congelou sob sua bota direita e ferveu sob a esquerda.
**"Mash, saia da frente"**, ele tentou, não como um monstro sem mente, mas como um General que acabou de assumir o comando do campo de batalha.
O jovem Shielder olhou para Ritsuka, que concordou. Ela recolheu o escudo exatamente no momento em que Kratos se impulsionou para frente, quebrando a barreira do som e deixando uma trilha de gelo e fogo na lama de Fuyuki.
