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Chapter 6 - Capítulo: Os Fantasmas da Rede

O "QG" do trio não era um porão escuro, mas sim uma antiga casa de barcos abandonada na marina de São Francisco, comprada por James através de uma empresa de fachada que ele mesmo criou usando a herança da avó. Por dentro, o lugar era um paraíso tecnológico: servidores modificados, telas de alta definição e cabos de fibra óptica ocultos que Bruce havia desviado da rede principal da cidade usando suas habilidades.

Aos 12 anos, Bruce Hastings Arasaka já tinha a altura e o porte de um adolescente de 16, cortesia de seu corpo adaptável. Seus olhos azuis refletiam o brilho das três telas à sua frente. Ao seu lado, Chloe digitava linhas de código em uma velocidade impressionante, enquanto James limpava a lente de uma câmera de alta precisão, sentado em um sofá de couro.

— Entrou um novo contrato na nossa carteira criptografada da Deep Web — anunciou Chloe, ajustando os óculos. — O pagamento em Bitcoin já foi depositado na conta garantia. É anônimo, mas o nível de criptografia do remetente... Bruce, acho que é alguém de dentro do próprio governo americano.

Bruce sorriu, recostando-se na cadeira. Eles haviam ganhado fama no submundo digital sob o pseudônimo coletivo de "Aparato". Quem precisasse de milagres digitais ou de alvos impossíveis de serem alcançados pela lei, recorria a eles.

— Qual é o trabalho, Chloe? — perguntou James, interessado.

— A Vanguard Logistics. Uma megacorporação de fachada sediada aqui em São Francisco. O FBI está tentando derrubar os caras há dois anos por tráfico internacional, mas o sistema de segurança digital deles é de nível militar. Toda vez que os federais tentam invadir, os servidores deles deletam as evidências automaticamente. O cliente quer que a gente extraia a lista de contatos e os registros financeiros antes que eles apaguem tudo.

— E tem um bônus — Bruce interveio, seus olhos brilhando enquanto ele estendia a mão em direção ao modem central. Sem tocar em um único fio, sua mente se conectou à rede, sentindo os nós de dados da cidade. — A Vanguard não opera sozinha. Eles financiam a Red Dragons, uma das gangues mais violentas das docas. Se derrubarmos a corporação, cortamos o dinheiro da gangue. E se expormos os dados ocultos na internet, o FBI vai ter que agir na mesma noite.

James se levantou, um sorriso predatório no rosto.

— Uma invasão corporativa e a destruição de uma gangue local antes da hora do toque de recolher dos meus pais? Contem comigo. O que eu faço?

— Você vai ser nossos olhos no mundo físico, James — Bruce instruiu, jogando um ponto eletrônico modificado para o amigo. — A Vanguard usa uma rede em circuito fechado (air-gapped). Para eu conseguir entrar com a minha tecnomancia à distância, preciso que você plante esse pequeno transmissor perto da subestação de energia deles na marina.

— Considerem feito — James guardou o dispositivo no bolso da jaqueta, confiante no seu treinamento de infiltração e parkour.

Bruce voltou sua atenção para as telas. Chloe já estava mapeando os firewalls da corporação, criando o algoritmo que mascararia a assinatura deles.

— Chloe, prepare o protocolo de extração quarenta vezes mais rápido — comandou Bruce, fechando os olhos e deixando sua mente mergulhar profundamente nos cabos digitais que cortavam o subsolo de São Francisco. — Assim que o James plugar o transmissor, eu vou fritar o sistema de autodestruição deles de dentro para fora. Vamos mostrar para o FBI como é que se trabalha de verdade.

A caçada aos monstros ocultos da internet estava oficialmente aberta.

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