Cherreads

Chapter 36 - Capítulo: A Guarda dos Primogénitos

Parte 1: O Teste de Proteção dos Gémeos

Era uma noite de tempestade em São Francisco. Os trovões ecoavam sobre as águas da baía e o vento fustigava as árvores centenárias da colina de Presidio. Bruce havia precisado de se ausentar para o centro de comando da corporação na cidade para gerir uma crise de fusão de dados no mercado asiático. James estava na liderança das patrulhas externas da cidade, enquanto Chloe monitorizava a rede global a partir do QG.

Na sala de controlo blindada no subsolo da mansão, Lucas, com os seus dez anos, estava sentado diante de um dos monitores secundários do "Olho de Vidro". Ele gostava de passar as noites a rever as linhas de código de segurança da casa como um passatempo.

De repente, um pequeno pixel vermelho piscou no mapa termográfico da floresta sul da propriedade.

— Linha de código invertida no nó quântico 4... — Lucas murmurou, os seus olhos azuis brilhando com foco absoluto. A sua mente aprimorada processou o padrão em milissegundos. — Não é uma falha do sistema por causa da tempestade. É um ataque de deceptive routing (roteamento enganoso). Alguém está a tentar mascarar a sua assinatura de calor.

Lucas ativou o intercomunicador interno, ligando diretamente para o quarto do irmão gémeo.

— Leo. Temos intrusos no quadrante sul, perto da estufa da mãe. São três assinaturas de calor camufladas com trajes de supressão térmica. Eles estão a tentar implantar um dispositivo de escuta de longo alcance na nossa rede local.

No quarto, Leo levantou-se da cama instantaneamente. O menino vestiu um casaco tático preto e ajustou as suas luvas de treino.

— Identificou a origem, Lucas? — Leo perguntou, a sua voz calma imitando perfeitamente o tom seguro do pai.

— A assinatura do malware pertence à OmniTek Nordics, um dos consórcios rivais que o pai enfraqueceu na Europa Central — Lucas respondeu, os dedos voando pelo teclado para bloquear o acesso deles ao servidor principal. — Eles acham que a mansão está desprotegida porque o pai e o Tio James saíram. Eles não sabem que nós estamos aqui. Vou cortar as comunicações deles com o exterior.

— Perfeito. Eu vou neutralizar o avanço no perímetro — determinou Leo.

Leo desceu as escadas de serviço sem fazer um único ruído, cruzando-se com o mordomo Arthur no corredor inferior. Arthur, que carregava uma bandeja, olhou para o jovem mestre e notou a postura de combate do menino. Com a lealdade de um conselheiro aristocrático, Arthur pousou a bandeja e retirou discretamente uma arma de pulso não-letal do seu paletó.

— Precisa de assistência na retaguarda, Jovem Mestre Leo? — Arthur perguntou, polido.

— Fique perto do quarto da minha mãe, Arthur. Garanta que ela não seja acordada. Eu e o Lucas tratamos disto — Leo respondeu com um sorriso confiante.

Leo esgueirou-se pelas portas traseiras da mansão, misturando-se com as sombras do jardim fustigado pela chuva. Usando a agilidade e as técnicas de ocultação que James lhe ensinara, ele flanqueou os três espiões industriais perto da estufa.

Enquanto Lucas, no subsolo, sobrecarregava os sistemas eletrónicos dos trajes dos intrusos com pulsos eletromagnéticos localizados, deixando-os cegos e desorientados na tempestade, Leo agiu. Movendo-se como um fantasma, o menino de dez anos usou a sua força mecânica e precisão cirúrgica para aplicar golpes de imobilização rápidos nos dois primeiros homens, derrubando-os na relva húmida antes que pudessem reagir. O terceiro espião tentou erguer uma arma, mas Leo esquivou-se com agilidade perfeita e rasteirou-o, imobilizando-o no chão com uma chave de braço tática.

Quando os utilitários blindados da equipa militar da Arasaka chegaram ao local, avisados por Lucas, encontraram os três espiões completamente neutralizados, amarrados e prontos para o interrogatório.

Uma hora depois, Bruce entrou na sala de controlo do subsolo. Ele ainda vestia o seu terno de Kevlar cinza-escuro. Olhou para Lucas, que fechava os relatórios de segurança com Chloe no ecrã, e depois para Leo, que limpava a chuva do casaco tático com a ajuda de Arthur.

Bruce caminhou até aos filhos. A imponência dos seus 1,89m cobriu os dois, mas o seu semblante era de um orgulho incomensurável. Ele ajoelhou-se e abraçou os dois gémeos contra o seu peito largo.

— Vocês protegeram a casa de vocês. Protegeram a mãe de vocês e os irmãos que ainda nem nasceram — Bruce disse, a sua voz grossa e orgulhosa vibrando. — Vocês provaram que são os legítimos guardiões deste império.

Lá em cima, no quarto, Elena, que havia acordado apenas no final da operação, abraçou os dois meninos com força quando eles subiram, cobrindo os seus rostos de beijos. O amor por Leo e Lucas, os primeiros herdeiros, estava mais do que nunca gravado na rocha daquela dinastia.

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